Shen Yun traz ao Brasil espetáculo ligado a seita e com denúncias de trabalho análogo à escravidão, segundo a Revista Fórum

O espetáculo de dança Shen Yun iniciou sua temporada no Brasil, trazendo ao país uma produção que tem sido associada a controvérsias envolvendo sua estrutura interna e denúncias sobre as condições de trabalho de seus integrantes. Embora seja apresentado como uma celebração da cultura tradicional chinesa, a reportagem indica que sua estrutura está diretamente ligada ao funcionamento do Falun Gong, grupo descrito pela Revista Fórum como uma seita com atuação internacional.

No Brasil, o Shen Yun realiza apresentações em cidades como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, incluindo o Teatro Bradesco e o Teatro da FIERGS, enquanto, nos Estados Unidos, corre uma ação judicial contra o grupo movida por ex-integrantes, conforme mencionado pela Revista Fórum.

Estrutura ligada à organização religiosa

De acordo com a Revista Fórum, o Shen Yun foi criado por integrantes do Falun Gong e integra uma rede mais ampla de iniciativas associadas ao grupo, que incluem produção cultural, atuação em mídia e projetos tecnológicos.

A publicação aponta que o espetáculo não deve ser analisado apenas como uma apresentação artística isolada, mas como parte de um ecossistema maior ligado ao movimento, que utiliza diferentes plataformas para ampliar sua presença internacional.

Denúncias de trabalho escravo e exploração de menores

Um dos pontos mais graves destacados pela Revista Fórum envolve denúncias de condições análogas à escravidão e relatos de possível tráfico humano nos bastidores da companhia.

Segundo a publicação, entre 2024 e 2025, diversos dançarinos relataram ter sido submetidos a jornadas exaustivas, isolamento e forte pressão psicológica durante sua permanência na organização.

A ex-dançarina Chang Chun-Ko, citada na reportagem, afirma que foi recrutada ainda adolescente, aos 13 anos, e submetida a um ambiente marcado por exigência extrema, controle interno e coerção psicológica.

Outros casos mencionados incluem ações judiciais movidas por ex-integrantes, como Sun Zan e Cheng Qingling, que processaram o grupo e seu líder, Li Hongzhi. Segundo os relatos apresentados na reportagem, a companhia manteria um “exército de crianças trabalhadoras”, submetidas a rotinas intensas de treinamento, com jornadas que poderiam chegar a 15 horas diárias, e pressão para continuar se apresentando mesmo diante de lesões.

A reportagem também cita o jornalista John Smithies, ex-integrante do Falun Gong e ex-colaborador de veículos ligados ao grupo, que relatou episódios de forte pressão psicológica sobre jovens dançarinos. Em um dos relatos mencionados, um integrante teria dito a adolescentes da companhia que cometer erros durante uma apresentação poderia comprometer “a chance de permanecer na Terra pela eternidade”.

De acordo com a Revista Fórum, esses depoimentos reforçam as denúncias de um ambiente de alta exigência combinado com mecanismos de controle e influência psicológica sobre os integrantes, especialmente os mais jovens.

Debate segue em aberto

As informações sobre as denúncias são baseadas em relatos e processos mencionados pela Revista Fórum e são contestadas pela organização, que afirma ter finalidade estritamente artística e cultural.

O tema permanece em debate à medida que o grupo amplia sua presença internacional e mantém sua agenda de apresentações em diferentes países.

 


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